Justiça anula júri e solta réus em caso de jovem morta após emboscada em Campos
Decisão da 6ª Câmara Criminal anulou condenações após identificar possível quebra de imparcialidade entre jurados durante sessão realizada em 2021
Reprodução A Justiça do Rio de Janeiro decidiu anular o júri popular que havia condenado os acusados pelo assassinato da universitária Ana Paula Silva Ramos, morta em 2017, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. A determinação foi tomada pelos desembargadores da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que entenderam que houve comprometimento da imparcialidade dos jurados durante o julgamento realizado em julho de 2021.
Com a nova decisão judicial, os réus condenados no processo vão responder a outro júri popular. A mulher apontada pelas investigações como mandante do crime já deixou a prisão na última sexta-feira, enquanto os executores dos disparos cumpriam pena em liberdade monitorados por tornozeleira eletrônica.
O entendimento dos desembargadores teve como base um episódio ocorrido durante uma pausa da sessão no Fórum Maria Tereza Gusmão de Andrade, em Campos. Segundo consta nos autos, um dos jurados teria escutado uma conversa entre Igor Magalhães e Wermison Carlos Ribeiro, identificados como executores do homicídio, envolvendo o nome de Marcello Henrique Damasceno, apontado como intermediador do crime.
Na ocasião do julgamento, o juiz responsável decidiu separar o processo de Marcello dos demais acusados. Mesmo assim, Igor, Wermison e Luana Barreto de Sales foram julgados conjuntamente e acabaram condenados a penas que variaram de 13 a 24 anos de prisão. Meses depois, Marcello também foi submetido a júri popular e recebeu condenação.
As defesas dos acusados ingressaram ainda em 2021 com recursos pedindo a anulação do julgamento. Os advogados alegaram que a situação registrada durante o intervalo da sessão comprometeu a neutralidade do Conselho de Sentença. O pedido foi aceito agora pelo Tribunal de Justiça.
Entre os envolvidos no processo, Wermison Carlos Ribeiro morreu após um acidente de motocicleta registrado na Ponte da Lapa. Já Marcello Henrique Damasceno permanece preso enquanto aguarda a análise de um recurso protocolado pela defesa.
O crime ocorreu em agosto de 2017, no Parque Rio Branco, em Guarus, distrito de Campos dos Goytacazes. Ana Paula Silva Ramos, então com 25 anos, foi baleada na cabeça e no tórax. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Ferreira Machado, mas teve morte cerebral confirmada dias depois.
De acordo com informações da Polícia Militar divulgadas na época, a jovem estava na Rua Comendador Pinto quando foi surpreendida por homens em uma bicicleta. Ainda conforme o relato policial, a vítima entregou pertences aos criminosos antes de ser atingida pelos disparos.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil concluíram que o assassinato teria sido planejado pela cunhada da universitária, identificada também como madrinha de casamento da vítima. Segundo os investigadores, as duas mantinham amizade desde a infância e haviam combinado de sair juntas no dia do crime.
O caso provocou forte repercussão em Campos dos Goytacazes e mobilizou a opinião pública da cidade. Conforme apontado pelas investigações, os envolvidos teriam se reunido um dia antes do homicídio para organizar a ação criminosa. Na sentença anulada, Luana Barreto de Sales havia sido condenada a 24 anos de prisão em regime fechado, enquanto Igor Magalhães e Wermison Carlos Ribeiro receberam penas de 13 anos de reclusão. Marcello Henrique Damasceno também foi condenado a 13 anos de prisão.
Siga nosso canal: https://whatsapp.com/channel/0029VbCVbR58V0tuBnsWDK1O







COMENTÁRIOS