Wladimir à beira do maior erro da história de Campos: devolver o comando da cidade para um usineiro
Depois de décadas tentando se livrar dos velhos senhores de engenho, Campos corre o risco de cair novamente sob suas rédeas disfarçadas de modernidade
Divulgação Reeleito em 2024 com 192.232 votos, Wladimir Garotinho já se programa para renunciar em abril, abrindo mão do cheque em branco que a população lhe entregou. A saída pelas portas dos fundos não é apenas sinal de medo de ficar sem mandato ou de terminar na cadeia , mas também a oportunidade de passar a faixa a quem sempre sonhou em governar: Frederico Paes, o velho senhor de engenho travestido de “não político”.
Frederico, que já controla a saúde e a agricultura de Campos como quem cuida da própria safra, só espera a caneta cair em sua mão para assumir oficialmente o comando. Secretários escolhidos a dedo, discurso ensaiado e o velho truque do “não sou político enquanto exerce mais poder que muitos políticos profissionais.
Campos levou anos para se livrar do jugo dos engenhos, mas pode assistir a um retrocesso histórico: trocar um governo eleito pelo domínio de quem representa o passado mais atrasado da cidade. A ironia é cruel e a pergunta é inevitável: será justo transformar os votos de confiança dados a Wladimir em procuração para um usineiro governar?

Campos, depois de décadas tentando se livrar da sombra dos senhores de engenho, parece estar prestes a entregar novamente a chave da cidade a um usineiro de plantão. A ironia da história não poderia ser mais cruel: depois de tanta luta contra o domínio dos barões do açúcar, eis que surge Frederico Paes, o “empresário que nunca quis ser político”, mas que não esconde a ansiedade para botar a mão na caneta. Secretários já escolhidos a dedo, pose de gestor moderno no fundo, a velha receita dos engenhos, só que com maquiagem contemporânea.
E Wladimir Garotinho? Foi reeleito com o cheque em branco que a população lhe entregou em 2024 foram 192.232 votos, mais da metade dos eleitores compareceram às urnas acreditando em sua liderança. E agora, se esse cheque for repassado para Frederico Paes, será justo com o campista devolver a cidade ao domínio de um usineiro?
O discurso de “não sou político” é velho truque: na prática, quem repete isso é sempre o primeiro a querer assinar decretos, controlar cargos e moldar o futuro da cidade ao seu bel-prazer. O campista sabe bem o preço que já pagou por décadas sob a batuta dos usineiros: estagnação, dependência e a sensação de que a cidade sempre andava ao ritmo da moagem da cana.
Frederico não entra na política para representar o povo. Entra para representar a si mesmo e aos seus pares e, claro, para agradar eleitores que ainda suspiram pelo tempo em que engenho e poder eram a mesma coisa. A pergunta que fica é simples: depois de tantos anos tentando escapar desse ciclo, será que Campos está prestes a cair na armadilha de novo?
Será que Wladimir Garotinho vai ter a pachorra de fazer isso com a população campista? Depois de receber em 2024 um cheque em branco de 192.232 eleitores, encerraria o ciclo saindo pela porta dos fundos não por escolha, mas por medo de terminar sem mandato e, quem sabe, até atrás das grades. Um final melancólico para quem sempre se vendeu como a esperança de renovação.
E, nesse teatro, quem aparece como sucessor? Frederico Paes. O empresário que jura de pés juntos não ser político, mas já comanda duas das áreas mais sensíveis da cidade: a saúde e a agricultura, ambas debaixo de suas asas, controladas com zelo de usineiro que cuida da sua safra. É o “não político” que adora o poder e que, se a caneta cair em sua mão, não terá cerimônia em assinar decretos e escolher secretários a dedo.
Campos levou anos para se livrar do jugo dos senhores de engenho, mas agora corre o risco de voltar ao passado. Trocar um governo eleito por um usineiro não é apenas uma jogada estratégica: é um tapa na cara de quem acreditou no discurso da mudança. A cidade que já foi mantida no compasso da moagem da cana pode, mais uma vez, ser amarrada ao ritmo dos engenhos.
A pergunta é inevitável: será justo com o povo campista transformar o cheque em branco dado a Wladimir em procuração para um usineiro governar? Ou vamos assistir, mais uma vez, ao retorno triunfal dos “donos da cidade”, disfarçados de gestores modernos?







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