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Campos dos Goytacazes,04/11/2026

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Quem é Miro Louco, líder do CV ligado à falsificação de decisão judicial?

Apontado como liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso, preso seria beneficiado por documento usado para tentar antecipar transferência de presídio federal


Quem é Miro Louco, líder do CV ligado à falsificação de decisão judicial? Divulgação

A Polícia Civil de Mato Grosso investiga uma suposta fraude envolvendo uma decisão judicial que teria sido falsificada para favorecer Miro Arcanjelo Gonçalves de Jesus, conhecido como Miro Louco. Ele é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no estado.


A apuração ganhou novo desdobramento na quarta-feira (28), quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra três advogados investigados. A ação faz parte da Operação Reescrita, deflagrada para apurar a origem, a produção e o uso do documento suspeito.


Segundo a investigação, a decisão falsificada teria como objetivo antecipar a transferência de Miro Louco da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá. A mudança ocorreria antes do prazo definido em decisão judicial anterior.


O caso é conduzido pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado. As equipes investigam se o documento foi elaborado e apresentado ao sistema de Justiça como se fosse uma decisão verdadeira.


Ao todo, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Cuiabá. As ordens alcançaram endereços residenciais e um escritório de advocacia localizado na Avenida Marechal Deodoro.


A Polícia Civil apura a possível prática dos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. O cumprimento das medidas contou com acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso.


O nome de Miro Louco aparece no centro da investigação porque ele seria o beneficiário direto da suposta fraude. A transferência para Mato Grosso poderia flexibilizar sua permanência fora do sistema penitenciário federal, considerado mais rígido para presos de alta periculosidade.


De acordo com as informações divulgadas, um pedido de transferência relacionado ao preso havia sido apresentado em junho de 2025. Depois disso, advogados investigados teriam procurado uma unidade judicial em Cuiabá para cobrar providências com base em uma suposta decisão que não constava regularmente no processo.


A suspeita dos investigadores é que o documento tenha sido usado para dar aparência de legalidade ao pedido. A apuração busca identificar quem produziu o arquivo, como ele circulou e de que forma teria sido apresentado ao Judiciário.


Miro Louco já era conhecido no sistema de Justiça de Mato Grosso por investigações e processos ligados ao crime organizado. Ele é apontado como um dos nomes ligados à estrutura do Comando Vermelho no estado.


Em decisões anteriores, Miro também aparece relacionado a casos de homicídio e a investigações sobre a atuação da facção. Em uma dessas apurações, ele foi mantido como réu em processo que deve ser levado a júri popular.


A Operação Reescrita não teve como alvo principal o preso, mas sim os profissionais investigados pela suposta participação na fraude documental. A Polícia Civil ainda apura se houve participação de outras pessoas na elaboração ou no uso do material.


As investigações seguem em andamento e os suspeitos ainda não foram condenados. A responsabilização dependerá da análise do material apreendido, da conclusão do inquérito e de eventual manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário.


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