Globo cancela debate após desistência de Flávio e ausência de Lula
Emissora alegou insegurança jurídica após decisões do TSE e do STF alterarem regras do encontro; Lula já havia informado que não participaria
Divulgação A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o debate entre candidatos à Presidência da República que estava previsto para começar às 21h30. A decisão ocorreu após mudanças determinadas pela Justiça sobre o formato e os participantes do programa, além da desistência do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, já havia informado à emissora que não compareceria. Poucas horas antes do programa, Flávio Bolsonaro também anunciou que não participaria, deixando o encontro sem os dois candidatos que lideravam as pesquisas naquele momento.
Antes do cancelamento, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) estavam confirmados e já haviam chegado à emissora. O debate seria o último promovido pela Globo antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4).
Uma das alterações ocorreu por decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atendendo a um pedido da coligação de Lula, a magistrada impediu a Globo de manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome do presidente.
A determinação também impediu que os candidatos presentes utilizassem uma das rodadas para formular perguntas destinadas a Lula. Essa possibilidade fazia parte das regras previamente estabelecidas para o caso de ausência de algum participante.
Outra mudança partiu do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes determinou que Renan Santos, candidato do Missão, fosse incluído no debate. A decisão foi tomada após pedido apresentado ao Supremo e modificou a relação de participantes inicialmente definida pela emissora.
A Globo havia estabelecido seus convites considerando a regra legal de participação obrigatória de candidatos cujos partidos possuam representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Inicialmente, a emissora havia convidado Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Lula. Romeu Zema teve sua participação garantida anteriormente por decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
Depois das decisões judiciais, Flávio Bolsonaro comunicou que não compareceria. Em manifestação nas redes sociais, o candidato do PL atribuiu sua desistência à decisão do TSE relacionada às regras para candidatos ausentes.
Ao anunciar o cancelamento, a Globo afirmou que as determinações recebidas pouco antes do programa provocaram “insegurança jurídica”. A emissora também classificou as mudanças como interferência na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais. Essa avaliação foi apresentada pela própria Globo em nota e não corresponde a uma conclusão dos tribunais.
Com o cancelamento, o encontro previsto para a reta final da campanha presidencial não foi realizado. A decisão ocorreu três dias antes do primeiro turno, quando candidatos intensificavam as últimas agendas e aparições públicas antes da votação.
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