Uma vez vice, sempre vice: o eterno papel de coadjuvante na Prefeitura de Campos
Dependência política de Wladimir Garotinho e falta de protagonismo colocam em dúvida a autoridade de Frederico Paes no comando do município
Divulgação A troca no comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes escancarou um cenário que já era comentado nos bastidores políticos da cidade: a dificuldade de Frederico Paes em assumir postura própria diante da influência exercida por Wladimir Garotinho. Desde que assumiu a prefeitura, o novo chefe do Executivo municipal ainda não conseguiu transmitir a imagem de autonomia administrativa esperada para o cargo.
Reeleito em 2024 com 192.232 votos, equivalente a 69,11% dos votos válidos, Wladimir Garotinho deixou a prefeitura novamente para disputar outro mandato político. A movimentação repetiu o roteiro já visto anos antes, quando abandonou o cargo de deputado federal para concorrer à prefeitura em 2020. O vai e vem entre cargos públicos virou marca registrada da trajetória política do grupo.
Na prática, a prefeitura acabou sendo entregue ao antigo vice, que assumiu o posto sem conseguir romper a imagem de subordinado político. Em entrevistas públicas, Frederico Paes aparece frequentemente com discurso cauteloso, postura insegura e forte preocupação em não contrariar o ex-prefeito, situação que vem alimentando críticas até mesmo entre antigos aliados do grupo governista.
A percepção entre adversários é de que Campos continua sendo administrada politicamente por Wladimir Garotinho, mesmo fora do cargo. Nos corredores da política local, a avaliação predominante é que Frederico ainda não conseguiu demonstrar comando firme nem independência para tomar decisões sem o aval do antecessor.
O cenário reforça uma antiga frase popular repetida por muitos eleitores campistas: “quem nasceu para vice dificilmente assume postura de líder”. A comparação passou a circular com ainda mais força após aparições públicas do atual prefeito consideradas apagadas diante da presença política construída por Wladimir ao longo dos últimos anos.
Anthony Garotinho, pai de Wladimir e ex-governador do Rio de Janeiro, já chegou a comentar publicamente sobre o comportamento de políticos que passam anos “ziguezagueando” entre mandatos e eleições. A sequência de renúncias e novas candidaturas acabou fortalecendo críticas sobre um modelo político focado mais na preservação de poder do que na estabilidade administrativa da cidade.
Mesmo ocupando oficialmente a cadeira principal do município, Frederico Paes ainda enfrenta dificuldades para convencer parte da população de que existe uma gestão própria em andamento. Para setores da oposição, a administração atual funciona mais como extensão do governo anterior do que como uma nova liderança política de fato.
Enquanto isso, Wladimir Garotinho segue mantendo influência direta sobre o grupo político que controla a prefeitura desde 2021. A movimentação deixa claro que, em Campos dos Goytacazes, a troca de nomes no gabinete principal não necessariamente representa mudança real de comando.
A discussão sobre liderança, dependência política e protagonismo promete continuar dominando o debate público na cidade, especialmente diante da proximidade das eleições de 2026 e do histórico de alternância estratégica de cargos dentro do grupo Garotinho.
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