Operação investiga esquema de R$ 6 milhões em fraudes contra plano de saúde de servidores
Operação investiga esquema de R$ 6 milhões em fraudes contra plano de saúde de servidores
Divulgação Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quinta-feira (9) avançou sobre um esquema suspeito de fraudes em procedimentos médicos que teriam causado prejuízo estimado em R$ 6 milhões aos cofres públicos. A ação mobilizou equipes em quatro estados e teve desdobramentos em Campos, no Norte Fluminense.
Na cidade, uma advogada foi identificada como alvo das investigações. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados a ela: um imóvel no Parque São Caetano e um flat situado na Avenida 28 de Março. Durante as diligências, foram recolhidos três telefones celulares, um notebook e um tablet.
A ofensiva, denominada Operação Dose Extra, concentrou esforços principalmente em Santa Catarina, mas também alcançou municípios em Minas Gerais, Rio de Janeiro incluindo Campos e Tocantins. Ao todo, foram executadas 31 ordens judiciais no âmbito da investigação.
Segundo a apuração, o grupo investigado seria formado por médicos, empresários e advogados que não possuíam vínculo direto com o plano de saúde SC Saúde, destinado a servidores públicos catarinenses, mas atuavam para obter vantagens financeiras por meio de procedimentos com valores elevados.
O esquema, conforme apontam os investigadores, começava com negativas administrativas do plano de saúde. A partir disso, os envolvidos acionavam a Justiça para garantir a autorização das cirurgias. Na etapa seguinte, eram apresentados orçamentos de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs) com custos significativamente superiores aos praticados no mercado.
Um dos casos analisados revelou discrepância expressiva: uma cirurgia inicialmente avaliada em R$ 29 mil acabou sendo paga por mais de R$ 600 mil. A diferença chamou a atenção das autoridades, que classificaram como alarmantes os dados obtidos na análise de 33 procedimentos.
As investigações tiveram início após auditoria interna do próprio SC Saúde, que identificou indícios de irregularidades, especialmente em cirurgias de coluna realizadas por via endoscópica. De acordo com os levantamentos, médicos indicavam fornecedores ligados ao mesmo grupo econômico, criando uma falsa concorrência para justificar os preços elevados.
A Delegacia de Combate à Corrupção informou que, até o momento, não há evidências de participação de servidores públicos no esquema investigado. Ainda assim, as apurações seguem para esclarecer completamente a dinâmica das fraudes e identificar todos os envolvidos.
Além das buscas, a Justiça autorizou a apreensão de 35 veículos, duas motos aquáticas e uma embarcação. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões, além da proibição de que cinco empresas envolvidas firmem novos contratos com o governo de Santa Catarina.
As autoridades continuam reunindo provas e aprofundando a investigação para dimensionar a extensão do esquema e suas ramificações em diferentes estados.







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