"Algo cheirava mal", diz presidente do INSS sobre contrato com Master
Em depoimento à CPMI, Gilberto Waller disse que instituto identificou irregularidades em operações de crédito consignado desde setembro
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Gilberto Waller, afirmou que os contratos de crédito consignado firmados com o Banco Master já despertavam suspeitas internas meses antes de virem a público. A declaração foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura irregularidades no setor.
Segundo Waller, desde setembro o instituto vinha identificando indícios de problemas nas operações realizadas pelo Banco Master envolvendo aposentados e pensionistas. De acordo com o dirigente, a área técnica do INSS passou a monitorar os contratos após detectar padrões considerados atípicos.
Durante a oitiva, o presidente do INSS relatou que a situação chamou atenção pela forma como os contratos estavam sendo formalizados e pela recorrência de reclamações associadas às operações. Ele afirmou aos parlamentares que, internamente, a avaliação era de que “algo cheirava mal” nos acordos firmados.
O depoimento foi prestado no âmbito da CPMI instalada no Congresso Nacional para investigar possíveis abusos e falhas na concessão de crédito consignado, especialmente envolvendo beneficiários da Previdência Social.
Waller explicou que, diante das desconfianças, o INSS passou a adotar medidas administrativas para analisar com mais rigor os contratos suspeitos. O objetivo, segundo ele, era proteger os segurados e evitar prejuízos decorrentes de práticas irregulares.
O presidente destacou ainda que as apurações internas antecederam a abertura de investigações externas e reforçou que o instituto colaborou com os órgãos de controle assim que os indícios foram consolidados.
Parlamentares que integram a comissão questionaram o dirigente sobre os mecanismos de fiscalização existentes e sobre eventuais falhas no sistema de controle dos empréstimos consignados. O tema tem sido recorrente nas sessões da CPMI, que busca identificar responsabilidades.
A investigação segue em andamento, com a expectativa de novos depoimentos e análise de documentos para esclarecer a atuação das instituições financeiras e a efetividade da fiscalização do INSS nos contratos de crédito consignado.







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