PF mira tráfico internacional e lavagem de capitais de até R$ 1 bilhão
Operação Commodity cumpriu mandados em quatro estados contra grupo suspeito de enviar 6,5 toneladas da droga à Europa desde 2021
Divulgação A Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de ativos de pessoas físicas e jurídicas investigadas por um esquema transnacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As restrições patrimoniais podem alcançar o limite de R$ 1 bilhão.
As medidas fazem parte da Operação Commodity, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 23 de julho. Ao todo, nove pessoas foram presas durante a ação, que mobilizou agentes federais e estaduais.
Foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva e 44 ordens de busca e apreensão. As diligências ocorreram simultaneamente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo.
Segundo as investigações, a organização montou uma estrutura logística com ramificações na América do Sul, Europa e Ásia. O principal objetivo do grupo seria transportar cocaína por via marítima para diferentes países europeus.
A Polícia Federal estima que aproximadamente 6,5 toneladas da droga tenham sido enviadas à Europa desde 2021. O entorpecente era colocado em contêineres e escondido em cargas regulares para tentar escapar da fiscalização alfandegária.
Entre os métodos identificados estavam a camuflagem da cocaína em sacos de café, cimento e argamassa. Os investigados também teriam recorrido à adulteração química, incluindo a diluição da substância em garrafas de refrigerante.
Uma das apreensões relacionadas à apuração ocorreu em setembro de 2025, no Porto do Rio de Janeiro. Na ocasião, cerca de meia tonelada de cocaína foi encontrada em sacas de café que seriam enviadas para a Eslovênia.
A apuração também identificou uma estrutura financeira utilizada para esconder a origem e a propriedade dos recursos. O esquema teria contado com empresas de fachada, emissão de notas fiscais falsas, criptoativos, holdings, imóveis de alto padrão e bens de luxo.
A Operação Commodity foi realizada no âmbito da Missão Redentor II e teve apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de São Paulo e Minas Gerais. A investigação aponta ainda vínculos operacionais do grupo com o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais. Outros crimes também poderão ser incluídos caso novas irregularidades sejam identificadas durante a continuidade das apurações.
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