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Campos dos Goytacazes,26/03/2026

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Tentativa de golpe na Alerj após queda de Cláudio Castro é barrada pela Justiça

Eleição relâmpago para controlar o Legislativo ocorre após renúncia e inelegibilidade do ex-governador


Tentativa de golpe na Alerj após queda de Cláudio Castro é barrada pela Justiça Divulgação

A anulação da eleição que colocou o deputado Douglas Ruas (PL) na presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) expõe uma tentativa de reorganização acelerada do poder no estado após a queda do ex-governador Cláudio Castro. A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), na noite desta quinta-feira (26), interrompeu um movimento político que buscava consolidar controle sobre a estrutura estadual.

O episódio ocorre poucos dias depois de Castro renunciar ao cargo, em 23 de março, na véspera de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No dia seguinte, a Corte concluiu o processo e o declarou inelegível por oito anos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. 

A saída do governador abriu um cenário de dupla vacância no Executivo estadual, o que transferiu para a Alerj a responsabilidade de eleger indiretamente o novo chefe do governo. Esse contexto elevou o peso político da presidência da Assembleia, transformando o cargo em peça-chave na disputa pelo controle do estado.

Foi nesse ambiente que a eleição de Douglas Ruas foi realizada de forma acelerada, poucas horas após ser convocada pelo presidente interino da Casa, Guilherme Delaroli (PL). A rapidez do processo e sua realização antes da definição oficial da composição da Assembleia levantaram questionamentos imediatos nos bastidores políticos.

A liminar concedida pela desembargadora Suely Lopes Magalhães acolheu o argumento de que a eleição ignorou uma etapa essencial: a retotalização dos votos determinada pela Justiça Eleitoral após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar. Sem essa atualização, não há garantia de que o colégio eleitoral da Alerj esteja corretamente formado.

Na prática, a tentativa de antecipar a escolha da nova presidência é interpretada como uma manobra para assegurar influência sobre o processo que definirá o próximo governador do estado. Como a eleição indireta passa pela Assembleia, controlar a Casa significa ter vantagem direta na condução da sucessão.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para a próxima terça-feira (31) a retotalização dos votos, que pode alterar significativamente a composição da Alerj. A exclusão dos cerca de 97 mil votos atribuídos a Bacellar exige um novo cálculo do quociente eleitoral, com impacto potencial em diversas cadeiras.

Essa possível mudança reforça o argumento de que a eleição interna foi precipitada. Ao ignorar a recomposição oficial do Legislativo, o processo poderia consolidar uma maioria artificial, definida antes da atualização dos resultados eleitorais.

Ao suspender a eleição e manter Guilherme Delaroli no comando da Casa, o TJRJ interrompe, ao menos temporariamente, uma articulação que buscava redefinir o equilíbrio de poder no Rio de Janeiro em meio à crise política aberta pela saída e inelegibilidade de Cláudio Castro.

O episódio evidencia um cenário de disputa intensa pelo controle institucional do estado, em que decisões aceleradas e juridicamente questionáveis passam a ser utilizadas como instrumento político em um momento de transição de governo.

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