Morador de Itaocara cria sistema artesanal para monitorar chuva e se surpreende com fevereiro: 'o mais chuvoso que já observei'
Iniciativa criada por Celso Alves de Oliveira, no distrito de Bocaina, registra volume recorde de precipitação em fevereiro e auxilia comunidade e autoridades locais
O volume de chuva registrado em fevereiro deste ano já é o maior observado nos últimos 15 anos em Itaocara, no Noroeste Fluminense. A medição foi feita por um sistema artesanal mantido pelo aposentado Celso Alves de Oliveira, que contabilizou 252 milímetros até a última aferição realizada às seis horas da manhã.
Morador da localidade de Bocaina, distrito do município, Celso implantou há cerca de três anos um mecanismo próprio para acompanhar o comportamento das chuvas e o nível da água durante temporais. Apesar de o sistema ter sido estruturado recentemente, o monitoramento das precipitações é realizado por ele há aproximadamente 15 anos, com registros diários.
O controle sistemático permite identificar variações no volume de chuva e comparar os índices atuais com dados históricos coletados ao longo do período. Segundo o aposentado, o acumulado deste mês supera todos os registros anteriores para fevereiro desde o início das medições feitas por ele.
O equipamento principal é um pluviômetro caseiro, construído com materiais acessíveis e adaptado para medir diariamente a quantidade de chuva em milímetros. As aferições são feitas todos os dias, sempre no mesmo horário, o que garante um padrão na coleta das informações.
Além do medidor de precipitação, Celso desenvolveu um sistema hidráulico interligado a uma área conhecida como “balão de Caxias”, ponto que concentra grande volume de água proveniente de uma bacia formada pelas regiões do Morro Alto e do Caeté. A estrutura inclui tubulações que direcionam a água até um açude construído em sua propriedade.
O reservatório funciona como um indicador visual da elevação do nível da água. Uma válvula instalada no mecanismo reage à pressão exercida pelo aumento do volume, permitindo identificar diferentes estágios de cheia. As marcações de referência foram estabelecidas com base em medições comparativas realizadas ao longo dos anos, relacionando a altura da água no açude aos níveis historicamente registrados na localidade.
De acordo com Celso, o acompanhamento contínuo contribui para que moradores tenham uma noção mais precisa da evolução das chuvas, possibilitando planejamento prévio diante de volumes elevados. As informações também são compartilhadas com autoridades locais, colaborando com alertas preventivos e reduzindo riscos de alarmes desnecessários.
O interesse pelo monitoramento hídrico começou ainda na infância. Segundo ele, desde os 9 ou 10 anos demonstrava curiosidade em entender como funcionava a medição da chuva naquela região. O sistema atual, desenvolvido de forma independente e com baixo custo, tornou-se uma ferramenta complementar de observação local e reforça a importância da participação comunitária na prevenção de possíveis desastres naturais.
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